Por: Laura Ulica Tem-se dito que o distanciamento a um acontecimento é directamente proporcional à sua compreensão. Isso tudo a propósito dos últimos eventos que estão a decorrer em Angola e que, aos poucos, se vão tornando mais claros, embora com alguns contornos sombrios, pouco esclarecidos e, infelizmente, matizados de uma relativa desconfiança.A primeira questão que melindra qualquer indivíduo interessado pela política angolana, é a de saber como foram os últimos minutos que antecederam a morte do Dr. Jonas Savimbi? Leia
Por: Dr.Manuel Utondosi (PhD em Psiquiatria) A guerra e a paz enquanto dois processos sociais, que concorrem para o mal (a guerra) e para o bem (a paz) do homem espelham bem a complexidade da interacção dos grupos sociais no processo da luta pelo poder. As noções de guerra e paz assemelham-se a uma face de duas moedas: numa das faces estampa-se o carácter destrutivo e noutra cunha a necessária reabilitação das sequelas sociais, económicas e psicológicas, causadas por aquela. Leia
Por. João Kanjongo O Imperialismo ovimbundu é, sem dúvida, a afirmação mais desconexa que se ouve em alguns certos círculos de intelectuais angolanos. À primeira vista nada parece mais estranho do que atribuir a um determinado grupo étnico, pretensões que se possam assumir como imperialistas. Tais ideias podem não estar plasmadas em livros, relatórios ou actas, mas ouvem-se de pessoas (quase sempre em ambientes restritos) muitas das quais ligadas a assistência humanitária e algumas ONGs, e cuja linha de fundo assenta na tese segundo a qual se está a processar, em determinadas zonas do País,o que se denomina por imperialismo Ovimbundu. Leia
Por. Evaristo Katata O próprio facto de ter de colocar uma tal questão é, por si só, significativo. Após quinze anos de actividade da Sociedade das Nações, eis-nos forçados a ver, que os povos desconfiam suficientemente uns dos outros para que o «nacionalismo» do vizinho e as suas tendências, à autarcia económica, impeçam qualquer um de sonhar em organizar no seu território uma verdadeira educação para a paz. A insegurança é tal que falta neste domínio toda a convicção. Mesmo aqueles que, por dever, dão continuidade ao ensino da colaboração internacional, não conseguem fazê-lo sem restrição mental. Leia
Por: Pedro Mufuma O dia 22 de Fevereiro foi, para todos os efeitos,um dia dramático e tétrico; dramático, porque, tal como nos outros dias, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi, como era de costume, na sua qualidade de General, se havia preparado para mais um dia de rotina. Logo pela manhã meteu o seu uniforme verde, fez a toalete e, possivelmente, aguardava pelo evoluir da situação. No entanto, a perda, dias atrás, das duas colunas que o guarneciam não augurava nada de bom. Estava praticamente exposto às forças do MPLA, constituídas por milícias, polícias e soldados do exército. E, tal como Che Guevera, na Bolívia, o Dr. Savimbi nem sequer se deu conta que o inimigo estava a poucos passos de si e lhe crivava, segundos depois, o corpo com sete balas. Foi assim, de uma forma aparentemente fácil, e quase inacreditável- para um homem tão experiente nas andanças da guerra-, que terminava a vida de um líder carismático e de um homem, que fez da guerra o seu cavalo de batalha para um dia vir a ser Presidente do País que o vira nascer. Dizem as pessoas que o conheceram de perto que, em certas ocasiões, lhes perguntava se um dia viria a ser, de facto, Presidente de Angola e condoído pela dúvida vertia algumas lágrimas. Talvez por notar que este desiderato se encontrava cada vez mais distante dele. Leia
Por: Tadeu Kahombo Dado o evoluir dos acontecimentos em Angola, e em função das perspectivas que se traçam, nada melhor que trazermos aqui o ensaio a "Paz Militar" em Angola de Carlos Pacheco. Consideramos o ensaio de um grande valor heurístico e que permite, da melhor forma, esboçar alguns contornos sobre o futuro próximo de Angola. Recorde-se que Carlos Pacheco é um historiador angolano, a viver actualmente no Brasil onde se dedica à investigação histórica,sobretudo em aspectos que têm a ver com as relações entre Angola e Portugal colonial. Tem, para além disso, várias obras publicadas. O ensaísta Carlos Pacheco começa por esboçar uma hipótese,segundo a qual "as forças militares do governo" conseguem, de facto "destruir ou dominar a máquina de guerra da UNITA". Em caso afirmativo, o ensaísta diz mais adiante que se isso, de facto, acontecer, caberá perguntar se esta derrota irá fazer com cessem "para sempre as hostilidades". Leia
Por: Tiago Kahombo Entre 1876 e 1893, reinava no Bailundo Ekuikui II, substituto de Ekongo-Lyo-Hombo, quando o reino entrou em grande alvoroço. Foi numa altura em que, no planalto, os reinos iam caindo, um a um, nas mãos dos colonialistas portugueses. Os emissários dirigiram-se a Embala e disseram a Ekuikui II que o reino estava em vias de ser atacado. A notícia correu célere, deixando o povo numa aflição e preocupações extremas. E as razões não eram para menos: todos se recordavam da prisão, feita pelos portugueses, do rei Cingi I, um século antes. Para não falar do reino do Viyé, há uma centena de anos nas mãos dos colonialistas. Leia
Por: Manuel Chimbungo Recordo-me de uma vez se ter falado da UNITA-RENOVADA num dos canais da televisão portuguesa. O jornalista queria saber da opinião de Manuel de Santos Lima sobre esta emergente organização política, ao qual ele respondeu, que não augurava grandes sucessos na arena política angolana, por ser um partido sem história.Nós diríamos um partido sem passado e, como é óbvio, os partidos sem passado também não têm futuro. Na verdade,a formação da UNITA-RENOVADA não partiu, como acontecem nesses casos, da consciência de um grupo de políticos que, em face de um vazio político,tenha decidido, na base de um programa de acção, com objectivos bem definidos. Leia
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