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Paz com sabor Agridoce.
Por: Bailundo
Assumido
Finalmente a PAZ chegou
e graças ao MPLA; parabéns MPLA por
ter trazido a PAZ ao angolanos; PAZ há muito
almejada, mas nunca conseguida. Sobretudo parabéns
para si, Sua Excelência Sr.Engenheiro José
Eduardo dos Santos, Presidente da República.
O seu gesto e inteligência farão com
que, como afirmam os seus fãs, fique na história
angolana, conhecido como o Arquitecto da PAZ. Não
importa que essa PAZ tenha sido feita dentro do lema
Fazer a guerra para acabar com a guerra
e com a exclusão definitiva do homem que sempre
lhe criou medo. Nem que isso sirva para confundir
as pessoas, alegando que ele é que não
queria a PAZ, enquanto que, afinal de contas, a PAZ
só seria possível com o cadáver
do tipo. Apesar disso, os parabéns, mesmo que
os metediços da ONU levantem, num momento tão
importante e delicado como esse, o fantasma dos crimes
de guerra; não faz mal; a PAZ foi obra sua
e em Angola mandamos nós.
Neste turbilhão
de congratulações não nos esquecemos
de si, Brigadeiro Wala que, como soldado, soube cumprir
heroicamente a sua missão; a PAZ também
foi fruto da sua coragem e heroísmo; mesmo
que o queiram envenenar; mesmo que o apresentem ao
público, com vivas de um lado e narizes torcidos
do outro, os parabéns, pois se não fosse
você, a PAZ não estaria aí; mas
muito cuidado,porque sempre se soube pouco do fim
dos carrascos dos grandes líderes; que se sabe
do carrasco de Che Guevera? Lumbumba, Humberto Delgado
e outros? A não ser que Jonas Savimbi não
tenha sido, para ninguém, um grande líder;
mas, se o foi, talvez um asilo político antecipado
nas Ilhas Britânicas, com uns bons milhões
de dólares (que talvez já devem lá
estar) no bolso não seria nada mau; pelo menos
dariam para viver mais uma vintena de anos;tempo necessário
para se saber se o acto heróicovaleu
mesmo a pena. E, pode crer, que quem o ameaça
podem não ser os órfãos que você
criou, mas os seus superiores hierárquicos
que você ofuscou com a sua bravura e mestria
militares.
Aos militantes e simpatizantes
do MPLA, não há palavras para expressar
a forma tão solene e cândida como soubemos
comemorar a assinatura do cessar-fogo em Angola. Foi
bonito, digo-o do fundo do coração,
ver Angola, de Cabina ao Cunene, do Leste ao Mar,toda
vestida de branco, em sinal de PAZ, não fossem
os símbolos da catana, estrela e roda dentada
que todos trazíamos nas camisolas, à
altura do peito, e as bandeiras (vermelho e negro)
desfraldadas ao sabor do vento, a destoarem. Mas não
podia ser de outra maneira, porque MPLA e Angola são
a mesmíssima coisa: afinal o Povo não
é o MPLA e o MPLA não é o povo?
Pena que isso tenha dado o aspecto de que se comemorava
uma capitulação (rendição)
e não a assinatura de PAZ; afinal não
era isso que se estava a comemorar? Uma rendição?
De facto, ninguém
entendeu por que razão as coisas não
correram tal como foram previstas. E, assim manifestamos,
desde já, solidariedade e pesar pela nossa
dor e frustração. Também nós
não esperávamos por este fim. Que mau
desfecho! E nós que pensávamos que o
lema não se pode travar o vento com as
mãos apenas funcionava para as nossas
causas.Repito que não gostamos deste desfecho.
E, acreditem:pois as peças do puzlle, estavam
bem montadas: por que razão havíamos
de sentar à mesa, um dia, com fantoches e terroristas?
E mais quando o nosso grande escritor, ávido
em candidatar-se ao Nobel da Literatura, Pepetela,
afirma que «as grandes decisões já
foram tomadas, Angola faz parte da estratégia
americana por causa do petróleo. Já
foi dito por responsáveis dos EUA que a UNITA
estava fora do baralho».
Na verdade, e por isso
tudo, ninguém entendeu o que se passou. Como
seria bom se aqueles magricelas, apanhados na selva,
fossem todos para a cadeia; e os convertidos entrassem
para a senda do Renovarismo! Afinal de contas que
faltou se esse tal de Kamorteiro havia sido capturado
e o tal de Samy, fruto dos bafos, engasgava-se constantemente
ao ler o comunicado sobre o fim das hostilidades,
tão grande era o medo que tinha de nós;
nós MPLA? Se as coisas corressem como estavam
previstas o nosso poder nunca seria posto em causa,
pois nós somos os filhos legítimos de
Angola e o apanágio de governarmos Angola foi-nos
legado geneticamente. E depois tínhamos aí
os 100 mil dólares, o tractores,os camiões
e as vivendas para os políticos e oficiais
superiores mais mansos que viessem da selva. Agora
as coisas se alteraram e pior de tudo é que
tivemos que assinar o cessar-fogo com terroristas;
que vergonha para gente fina como nós,
sem sotaque! Porquê andamos todos esses anos
a dizer que a PAZ dependia do velho defunto se, afinal
de contas,pela celeridade do processo, viu-se que
dependia mais de nós (mas sem o velho,claro).
Que PAZ amarga! E assim, como vai ficar isso no futuro?
Será que estamos a perder o controlo da sociedade?
Que será dos nossos dólares e do privilégio
de sermos os únicos filhos legítimos
de Angola. Ou será que somos enteados? Só
peço a Deus que os nossos pais não nos
oiçam...
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