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Unita Renovada: Entre o Absurdo e a Venalidade

Prestação Étnica: Péssima!

Recordo-me de uma vez se ter falado da UNITA-RENOVADA num dos canais da televisão portuguesa. O jornalista queria saber da opinião de Manuel de Santos Lima sobre esta emergente organização política, ao qual ele respondeu, que não augurava grandes sucessos na arena política angolana, por ser um partido sem história.

Nós diríamos um partido sem passado e, como é óbvio, os partidos sem passado também não têm futuro. Na verdade,a formação da UNITA-RENOVADA não partiu, como acontecem nesses casos, da consciência de um grupo de políticos que, em face de um vazio político,tenha decidido, na base de um programa de acção, com objectivos bem definidos, criar uma organização política. Ou seja, uma organização onde as pessoas se congregam em função dos objectivos, das metas a alcançar o que pode ocasionar (ou não) uma coesão entre os seus membros.

Não foi o que se passou com a Unita-Renovada; daí o carácter absurdo da sua formação. Para começar, a semente para a germinação da UNITA-RENOVADA foi lançada em Lusaka, onde o MPLA, nos bastidores, ia prometendo fundos e mundos àqueles que, de uma vez por todas, abandonassem o líder rebelde. E, fatalmente, alguns dos membros da UNITA (os mais fracos), que estavam presentes nas longas conversações que decorreram em Lusaka acabaram por ser completamente aliciados.E durante o tempo que o actual líder dessa organização se encontrava no purgatório, (cativeiro) à espera da consumação da sentença de morte que havia sido decretada pelo Dr.Savimbi, o MPLA, recalcitrante na sua ideia de formar uma UNITA alternativa à UNITA tradicional arquitecta a fuga do actual líder da UNITA-R. Posteriormente, as coisas desenrolaram-se tal como os ideólogos do MPLA haviam previsto.

O MPLA, reconfortado com as vitórias do Congo Democrático e do Congo,decide, em 1998, esmagar militarmente a UNITA- TRADICIONAL. No entanto, com receio da reacção da comunidade internacional,porque afinal a democracia está na moda, põe em prática o seu plano maquiavélico. Foi assim, que numa noite em Luanda, o actual ministro do interior convoca para um encontro alguns responsáveis da UNITA que se encontravam em Luanda, no GURN e na Comissão Conjunta e propõe-lhes a criação da UNITA RENOVADA com fundos do próprio governo; uns aceitam e outros não; estes abandonam o país. E a ala que aceita a proposta do MPLA, sem se aperceber comete um dos piores sacrílegos contra a etnia, pois passou a converter-se em caixa e ressonância do partido, que os usa e abusa. Para já não falar do triste espectáculo que a UNITA-RENOVADA, vem protagonizando no parlamento angolano.

Para aqueles que têm uma certa esperança neste (des)organização política, que se desenganem; daí nada se pode esperar; aliás, o comportamento dela é disso revelador.Um partido sem imaginação, que não consegue fugir do esquema do partido que diz que combater, nem sequer ao nível dos símbolos,programa e bandeira; que faz da oposição os seus próprios companheiros; que depende financeiramente da força política que deveria combater. Pior que tudo é o facto de alguns dos seus membros influentes estarem agora numa grande cruzada a favor da corrupção,do esbanjamento e da dilapidação dos fundos que lhes são destinados para a área social.A UNITA-R, gritará ao mundo que tem um projecto de sociedade; que tem um programa político e que luta pela paz; e que se formou para evitar que o MPLA lhes eliminasse fisicamente. Mas quem ler nas entrelinhas a sua mensagem,verá,espantado que ela em nada difere com a do MPLA. São os paradoxos da cena política angolana!

Manuel Chimbungu

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