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Lukamba Gato
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Marcial Dachala
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Alcides Sakala
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Uma lição de Honra e Dignidade
Tem-se dito que
o distanciamento a um acontecimento é directamente
proporcional à sua compreensão. Isso
tudo a propósito dos últimos eventos
que estão a decorrer em Angola e que, aos poucos,
se vão tornando mais claros, embora com alguns
contornos sombrios, pouco esclarecidos e, infelizmente,
matizados de uma relativa desconfiança.A primeira
questão que melindra qualquer indivíduo
interessado pela política angolana, é
a de saber como foram os últimos minutos que
antecederam a morte do Dr. Jonas Savimbi? Outros aspectos
poderão ter a ver com questões como:
porque, segundo as palavras de Lukamba Gato em entrevista
ao Folha 8, o Luena foi terrível
e o grosso das tropas não estava lá
para sair em socorro do líder? Outra pergunta
é: o guerrilheiro mais velho da África
teria se suicidado ou, como disse o Brigadeiro Wala
(em umbundo, vestir), fora apanhado desprevenido à
sombra de uma mulemba e crivado com cinco ou sete
balas?
Pelo que temos conhecimento,
o desfecho trágico do Dr. Jonas Malheiro Savimbi
foi resultado, não propriamente da bravura
dos soldados afectos ao governo, conforme o MPLA propala
aos sete ventos, mas sim da acção do
General Ekopo (de okukopa; estar magro). Senão
vejamos: a equipa de segurança mais próxima
do Dr. Jonas Savimbi, a comando do Coronel Guido,
transida pela fome, foi facilmente manietada pelas
tropas do governo que, num curto espaço de
tempo, e através de métodos próprios
de um exército comunista, a forçou a
revelar o código relativo a localização
da posição do velho guerrilheiro. Consequentemente,
o Tenente-Coronel Rafael, colocado no ponto de observação
mais avançado dessa posição,
ao dar-se conta da aproximação do coronel
Guido, estava longe de imaginar que o mesmo se encontrava
às expensas dos homens de Wala (homem vestido
com o cadáver de Jonas Savimbi); de modo que,
nem sequer esmiuçou um gesto em sua defesa
por não desconfiar do seu companheiro de armas,
acabando por ser morto com um tiro no pescoço.
O mesmo se deve ter passado
com o Dr. Savimbi, que muito longe de desconfiar do
coronel Guido, preparou-se para o atender, sendo,
de imediato, assassinado à queima-roupa pondo,
deste forma, fim ao seu projecto de criar, em território
zambiano (que distava 3 dias desse local ), uma Base
de Apoio à Guerrilha. Mais importante que descrever
esses momentos trágicos, e tão plenos
de traições, seria analisar os acontecimentos
à volta de algumas figuras políticas
mais importantes da UNITA, inicialmente Targets
do MPLA, para entendermos como as mesmas sobreviveram.
Pelo que se sabe, Lukamba Gato (Coordenador da Comissão
de Gestão da UNITA) sobreviveu graças
ao facto de ter sido enviado, em Abril de 2001 (cujas
razões ainda se desconhecem ), para o Norte
de Angola. E talvez teria um fim semelhante ao do
seu líder se se antecipasse a um encontro com
o Dr. Savimbi, pois a morte deste apanhou-o a meio
do caminho do rendez-vous. Recorde-se
que das pessoas a abater, constantes da lista do MPLA,
não figurava apenas o Dr. Savimbi, mas também,
e sobretudo, o General Dembo (Vice- Presidente); Lukamba
Gato (Secretário Geral do Partido), Alcides
Sakala (Secretário para os Negócio Estrangeiros)
e Marcial Dachala (Secretário para a Informação).
Quanto a Alcides Sakala,
dado como morto desde Janeiro do corrente ano, conforme
foi noticiado por vários meios de comunicação
social, inclusivamente pela RTPI que lhe havia dedicado
uns breves minutos, não há dúvidas
de que foi salvo pelo seu estado crítico de
saúde, que levou o Dr. Savimbi a afastá-lo
da coluna, ordenando: Alcides deve sair da coluna;
não deve morrer; render-se ao inimigo ou ser
capturado. Assim, foi, logo de imediato, transferido
para um grupo mais reduzido de guerrilheiros do qual
fazia parte Marcial Dachala. Daí foi apenas
o encetar de várias manobras, evitando serem
apanhados pelos grupos de caçadores das tropas
do governo que, pela rádio, iam denunciando
as suas posições.
As dificuldades porque
passaram esses políticos,juntamente com os
soldados e os populares que os acompanhavam, foram
tão grandes que transcendem a compreensão
de qualquer ser humano. E a questão que se
põe é: por que razão não
se renderam, tal como muitos o haviam feito, traindo,
assim, os ideias pelos quais combatiam? É que,
diga-se em abono da verdade, pessoa alguma de bom-senso
pôde ficar indiferente às imagens de
pessoas completamente desnutridas, debilitadas e doentes
que até ao último momento se mantiveram
fieis aos seus ideais. Muito se poderá dizer
sobre as qualidades primordiais da personalidade:
tenacidade, persistência, resistência
às calamidades, em suma: o poder que a mente
tem sobre o corpo mas, por vezes, é-nos demasiado
difícil determinar os limites dessa resistência.
É evidente que com uma disciplina férrea
se torna possível, em certas ocasiões,
levar o organismo, ao bom estilo espartiano, a resistir
a condições susceptíveis de levar
qualquer homem comum a morte ou a desistir dos seus
propósitos. Foi esse espírito dos Dórios
que os fez dominaram sobre todo o Peloponeso e vencer
Atenas.
Talvez o mundo seria mais
diferente se cada um de nós tivesse a humildade
de reconhecer, nos seus adversários, as capacidades
que são necessárias para a construção
de uma personalidade e que são a chave para
o sucesso na vida. Essas qualidades assentam, de uma
ou outra forma, no esforço, que não
é nada mais senão que a utilização
da vontade na actividade humana. O esforço
para se alcançar um objectivo pressupõe,
necessariamente, que o indivíduo tenha uma
força que depende de certas energias existentes,
tanto físicas como morais. Além disso,
o esforço de um indivíduo pode ser voluntário
e involuntário; o esforço voluntário
é aquele que não se desencadeia apenas
graças aos estímulos do meio ambiente,
mas que provém da iniciativa do próprio
indivíduo, sendo, como tal, um factor pessoal,
embora varie de indivíduo para indivíduo,
já que o esforço que se pode exigir
de alguém varia ,em primeiro lugar, da personalidade
de quem exige algo e,em segundo lugar, das relações
que se estabelece com o sujeito.
Esta situação
torna-se um tanto ou quanto mais caricata quando nos
apercebemos que, na situação em análise,
o indivíduo, neste caso,o Dr. Jonas Savimbi
que exigia dos seus colaboradores o devido esforço,
havia pura e simplesmente deixado de existir.É
neste sentido que a determinação e a
abnegação convertem esses três
políticos em figuras de admiração
não só por parte da etnia, mas também
das pessoas de bom senso-senso, que valorizam as grandes
qualidades humanas.Afigura-se-nos irrelevante questionar,
agora, do significado e da justeza das causas que
eles defendem, mas não podemos deixar reconhecer
que homens capazes de dar as suas vidas pelos seus
ideias, merecem o respeito de todos nós. E,
só por isso rendemos homenagem a essas pessoas,
que perante seus camaradas desertores, souberam dar
ao mundo uma grande lição de honra e
dignidade. Dos fracos e dos desertores não
reza a história e eles souberem ser fortes
ao ponto da sua coragem e determinação
ficar, indelevelmente, escrita na Historia da etnia
e não só.
Bem-hajam homens assim.
Laura Ulica
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