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MPSO-Movimento
em Prol da Sobrevivência dos Ovimbundu
Declaração de Independência.
Governo
do MPLA, gigantesca estátua de ferro com pés
de barro assentes na tirania, incompetência,
despotismo e corrupção, viemos, em nome
da nossa etnia, vítima de um genocídio
silencioso praticado por vocês, dizer-vos que
basta.
Em
nome dos Bailundos (va-mbalundu),
os Biés (va-vihé),
os Uambos (va-wambu),
os Galanguis
(va-ngalangui), os Quibulos
(va-kimbulu), os Adulos
(va-ndulu), os Quingolos
(va-kingolo), os Kalukembes
(va-kaluquembe), os Sambos
(va-sambu),os Ekeketes
(va-ekekete), os Cacondas
(va-kakonda), os Quitatos
(va-kitatu), os Seles
(va-sele), os Ambuis
(va-mbui), os Hanhas
(va-hanha),
os Gandas (va-nganda),os
Chicumas (va-chikuma),
os Dombes (va-dombe)
e dos Lumbos (va-lumbu),
pedimo-vos, a vós, que sempre estivestes à
margem do nosso sofrimento, que nos deixeis em Paz.
Fomos
hospitaleiros para com vocês. As portas dos
nossos onjango estiveram sempre abertas. Em
troca, vocês transformaram os nossos sorrisos
em lágrimas; minaram as nossas lavras, nakas
e consciências. E como se não bastasse,
secaram as lágrimas das nossas mulheres. A
partir de hoje nunca mais sereis bem-vindos no nosso
espaço social, cultural e psicológico,
o "onjango". Sois ingratos e mal-agradecidos.
Definitivamente, deixamos de reconhecer a vossa soberania.
Não
somos um governo eleito; muito menos um Estado independente,
ainda que um dia (quem lá sabe) possamos evoluir
para tal. A única autoridade que legitima a
nossa acção é a liberdade, a
consciência e a identidade étnica, que
é emanação mais profunda das
nossas crenças, atitudes e valores. Isso torna-nos
independentes da vossa tirania e do policiamento que
sempre fizestes ao nosso pensamento e às nossas
acções.
Vocês
não têm qualquer legitimidade moral,
social e cultural (esta já nem se fala) para
nos governarem. Conhecemos, desde muito cedo, os vosso
métodos de coação. Por isso não
reconhecemos o vosso governo; aliás, nunca
vos elegemos para nos governarem. Pena que vocês
são demasiados cínicos para aceitarem
que nós, os Ovimbundu, nunca vos quisemos.
Demos-vos um cartão vermelho nas primeiras
eleições que se realizaram no País.
Ovimbundu algum se revê no vosso programa (social,
económico, político e militar) e no
projecto de sociedade que, em vão, vocês
procuram sustentar.
Vocês
são tudo de mais nefasto e de hediondo que
existe na face da terra. A vossa ambição
desmedida pelo poder já atingiu as raias do
anormal. Da falhada tentativa de implantação
da "sociedade socialista" (que excluía
a alternância no poder) à criação
e alimentação de um Monstro (ingénuo
e esquizofrénico), oriundo da nossa etnia,
para justificar ao País e ao mundo a destruição
metódica do nosso grupo, vocês mostraram
que não olham a meios quando se tratam de questões
atinentes ao poder. Daí os bombardeamentos
indiscriminados, as bombas químicas, a deslocação
forçada das populações para fora
do seu habitat, (condenado-as a morrer de stress,
fome e doenças) e a incorporação,
na vossa máquina de guerra, de soldados capturados
e rendidos.
Vocês
sempre recorreram a bodes expiatórios para
justificarem o extermínio que levam a cabo.
Para além do Monstro, criado e nutrido por
vocês, é táctica vossa fazer crer
ao mundo que nós estamos em guerra contra vocês;
pelo contrário,vocês é que estão
em guerra contra nós,contra a Paz e contra
a Democracia e por uma razão muito simples:nós
somos a maioria e isso sempre vos preocupou,pois num
pleito eleitoral, transparente e justo, qualquer nosso
representante sairia vencedor.
Defendemos a ideia segundo a qual,
os problemas são intrínsecos à
vida humana; mas não precisamos de vocês
para os resolveremos. Nós temos capacidade
e inteligência suficientes para identificar,
catalogar e dar soluções aos nossos
problemas e pelos próprios meios. Não
precisamos de vocês para nada.
O "onjango"
é um espaço que pretende promover o
diálogo, a troca de opiniões, de pontos
de vista de resultados de pesquisas sobre aspectos
económicos e sócio-culturais da etnia
Ovimbundu, assim como denunciar, energicamente, o
extermínio a que esta etnia está sendo
sujeita,desde o regime colonial e que se agravou logo
após a ascensão do País à
independência.
Pretendemos, deste
modo,criar um espaço aberto a todos que pretendam
contribuir, com o que têm, para a sobrevivência
da etnia Ovimbundu, independentemente da raça,
etnia, poder económico, militar e filiação
partidária. Trata-se, portanto, de um espaço
onde cada um, em qualquer parte do mundo, poderá
expressar as suas opiniões sem temer por represálias
ou que venha, um dia, a retractar-se do que disse.
Os conceitos promulgados
por vocês em matéria de direitos económicos,sociais
e culturais (propriedade, trabalho, saúde e
educação) e de liberdade (consciência,
expressão, associação) não
se aplicam a nós,porquanto a nossa existência
é imaterial.Não somos anarquistas e
muito menos aventureiros; daí que, contrariamente
a vocês que impõem a ordem através
da força física das estruturas polícias
e partidárias, sempre a desfavor da nossa etnia,a
nossa forma de governação será
baseada na Ética própria dos valores
africanos, que vocês sempre ignoraram. Nunca
aceitaremos as vossas ideias e a vossa forma de olhar
para o mundo. Escusado será dizer que tudo
que fizerdes para nos forçarem a mudarmos de
opinião será em vão.
Estamos, assim, a criar uma nova
nação.
Desejamos
que ela seja mais justa, mais equilibrada, isenta
de guerras;diferentemente da nação criada
por vocês,dentro do lema "um só
povo uma só nação", que
fez tábua-rasa ao nosso modo de ser e de estar
no mundo e que hoje, de uma forma solene, nos emancipamos.
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New Castle, aos 4 de Fevereiro de
2002.

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